Esse post é para o meu afilhado. Ele tem cinco anos e um problema: torce pro Botafogo. Eu ia dizer um defeito, mas já é zoação de flamenguista e não me permitiria ajudar. Então, vamos pensar nisso como um problema.
Terça-feira de manhã, vou eu pegar a fila pra ver comprar ingressos pro jogo do Flamengo com o Botafogo - Copa do Brasil, jogo decisivo, quem ganhar leva, empate leva pros pênaltis. Quem é flamenguista já sabe, são três horas de fila. Eu decidi virar sócio torcedor por conta disso, mas dois tios vem ao Rio e querem ver o jogo, então, partiu fila.
Os ingressos já estão na mão, mas esse post não é sobre nada disso. É sobre o Botafogo. Do lado do Botafogo não tem fila. Porque do lado do Botafogo não tem fila? Vai saber de onde sai tanto pessimismo. Nesse sentido, Flamengo e Botafogo são opostos gritantes. Se aparece um menino das categorias de base do Flamengo que sabe bater na bola com o lado externo do pé e fazer três embaixadinhas, a torcida já diz que é craque. Se for branquinho e tiver o cabelo castanho claro pra loiro, é o novo Zico; se for pretinho é o novo Adílio. Se o Flamengo ganha duas seguidas a torcida já sonha em ser campeã. Se ganha a terceira, os mais fanáticos dizem "iihhh, deixou o Mengão chegar, já era..." e mesmo os mais racionais passam a mão na calculadora para ver quantos pontos faltam.
No Botafogo, tudo parece que vai dar errado, mesmo quando tem tudo pra dar certo. Lá a torcida vaiou o Seedorf (logo o Seedorf?), não lota o estádio, tem medo de não conseguir se sustentar no topo da tabela mesmo quando tá ganhando e, se bestar, num momento de raiva, diz que o Garrincha não jogava nada.
Eu tenho um afilhado que é botafoguense, quem eu amo de paixão. Ele é um botafoguense roxo e típico. Roxo porque só fala nisso. Típico porque é pessimista até a gota, fica pensando se o time vai tomar gol. Então aqui vão meus conselhos para ele e para esse mar de botafoguenses que não botam fé: Gabriel, meu filho, sai dessa. Pensa que o Botafogo vai ganhar (ou desiste de ser Botafogo, você é novo, seu pai vai entender; hehehe). Mas se você quiser mesmo ser Botafogo, acredita que o Rafael Marques vai meter um monte de gol, que o Jeferson é o maior goleiro que esse país tem e que vai pegar dois pênaltis, que o Seedorf é gênio do meio de campo e vai achar todos os furos na defesa adversária. Pensa até que, de repente, até o juiz vai ajudar. E Garrincha, meu filho, é Deus. Se alguém falar mal do Garrincha, você fica zangado (lembrando sempre que não pode bater em ninguém). E se disserem que ele era um bêbado, você diz que ele era um incompreendido, um herói popular. Diz também que ele foi o melhor jogador da copa de 1962, que o Brasil só ganhou por causa dele.
Pense positivo. Nós sempre seremos mais numerosos, mas dentro de campo são onze contra onze. Acredite até o fim. Porque Botafogo é Botafogo e tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Só que nem eu aguento mais esse pessimismo todo.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Burocracia é burocracia
Confesso que enrolei. Daquelas enroladas em que "amanhã eu vou" vira "no final da semana que vem" que se transforma em "deixa virar o mês". Até que um dia minha mãe perdeu a paciência: "Menino, vai desalienar e transferir o carro pro seu nome. AMANHÃ." Daí que eu tomei vergonha na cara e fui.
Quando eu chego lá, na entrada da vistoria, o atendente me pede para ver o recibo de compra e venda. Sem problemas, entrego o recibo. Ele olha e recibo e dispara: "o senhor tem que assinar o recibo e reconhecer firma." Putz grila.
Vou atrás de um cartório. Eu estava longe de casa, consequentemente, longe do cartório onde eu tenho firma. Mas enfim, dinheiro é um pedaço de papel que só serve para a gente gastar: fiz um cartão de firma em um cartório qualquer e voltei para dar andamento na tal desalienação e transferência.
O rapaz do Detran que faz a vistoria checou o extintor, os pneus, o número do chassi, a seta e os faróis. E foi um ótimo dia para a lanterna do meu farol dianteiro direito queimar. Ok, mea culpa, mea maxima culpa, lanterna queimada não pode. Saio de novo para comprar uma lanterna.
Voltei, lanterna nova, farol funcionando, documento preenchido, tudo muito bom, tudo muito bem, é só pagar a dolorosa e ir embora, certo? Errado. Para o reconhecimento de firma ser válido, o cartório tem que preencher um sistema na internet. E o prazo para esse sistema estar atualizado é de quarenta e oito horas. "Volta daqui a dois dias..." - disse a moça que faz o trâmite do processo.
Veja você, que loucura. Eu já estava acostumado a eu não ser eu a menos que o cartório diga que eu sou eu e reconheça que aquela assinatura ali é minha. Mesmo que eu assinasse na frente do diretor do Detran, somente o cartório poderia dizer que aquela assinatura é de fato minha. Tudo bem. Mas agora não basta mais o carimbo do escrivão. Agora tem internet. E internet, você sabe, torna tudo mais rápido (ironic mode on). Que me resta senão voltar no prazo determinado? Burocracia é burocracia.
Deixo vocês com Asterix na casa de enloquecer.
Quando eu chego lá, na entrada da vistoria, o atendente me pede para ver o recibo de compra e venda. Sem problemas, entrego o recibo. Ele olha e recibo e dispara: "o senhor tem que assinar o recibo e reconhecer firma." Putz grila.
Vou atrás de um cartório. Eu estava longe de casa, consequentemente, longe do cartório onde eu tenho firma. Mas enfim, dinheiro é um pedaço de papel que só serve para a gente gastar: fiz um cartão de firma em um cartório qualquer e voltei para dar andamento na tal desalienação e transferência.
O rapaz do Detran que faz a vistoria checou o extintor, os pneus, o número do chassi, a seta e os faróis. E foi um ótimo dia para a lanterna do meu farol dianteiro direito queimar. Ok, mea culpa, mea maxima culpa, lanterna queimada não pode. Saio de novo para comprar uma lanterna.
Voltei, lanterna nova, farol funcionando, documento preenchido, tudo muito bom, tudo muito bem, é só pagar a dolorosa e ir embora, certo? Errado. Para o reconhecimento de firma ser válido, o cartório tem que preencher um sistema na internet. E o prazo para esse sistema estar atualizado é de quarenta e oito horas. "Volta daqui a dois dias..." - disse a moça que faz o trâmite do processo.
Veja você, que loucura. Eu já estava acostumado a eu não ser eu a menos que o cartório diga que eu sou eu e reconheça que aquela assinatura ali é minha. Mesmo que eu assinasse na frente do diretor do Detran, somente o cartório poderia dizer que aquela assinatura é de fato minha. Tudo bem. Mas agora não basta mais o carimbo do escrivão. Agora tem internet. E internet, você sabe, torna tudo mais rápido (ironic mode on). Que me resta senão voltar no prazo determinado? Burocracia é burocracia.
Deixo vocês com Asterix na casa de enloquecer.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Tautologia do dia: professor é professor
Hoje é dia do professor, então senta direito e faz silêncio. Presta atenção, que vai cair. Então vai estudar... hahaha. O professor é o malandro que continua falando, mesmo quando ninguém quer ouvir. Li essa bobagem em algum lugar uma vez. Mas tem um fundo de verdade, nesses tempos sombrios.
Como eu nunca parei de estudar, exceto pelo tempo em que fui professor, tive muito contato com a categoria, que foi minha e quem sabe um dia volte a ser. Alguns me inspiraram muito. Alguns me ensinaram a ter raiva da profissão. Outros me ensinaram a levar na maciota. A maioria se estrepava muito pra dar aula. É mais tempo de sala do que seria possível se preparar, é menos salário do que ele mereceria, especialmente na educação mais básica. E os professores hoje, especialmente no Rio de Janeiro, são quem fala isso. Mesmo quando os vereadores não querem mais escutar, quando o prefeito tá preocupado em fazer Olimpíada e em arrumar um jeito do Eike Batista ficar mais rico do que já é.
O fato é que professor é professor, mas dá aula melhor se tiver mais tempo para se preparar. Professor é professor e não pode parar de estudar nunca, então tem que ser incentivado a continuar sua formação. Professor é professor e portanto devia ser mais valorizado.
Como eu nunca parei de estudar, exceto pelo tempo em que fui professor, tive muito contato com a categoria, que foi minha e quem sabe um dia volte a ser. Alguns me inspiraram muito. Alguns me ensinaram a ter raiva da profissão. Outros me ensinaram a levar na maciota. A maioria se estrepava muito pra dar aula. É mais tempo de sala do que seria possível se preparar, é menos salário do que ele mereceria, especialmente na educação mais básica. E os professores hoje, especialmente no Rio de Janeiro, são quem fala isso. Mesmo quando os vereadores não querem mais escutar, quando o prefeito tá preocupado em fazer Olimpíada e em arrumar um jeito do Eike Batista ficar mais rico do que já é.
O fato é que professor é professor, mas dá aula melhor se tiver mais tempo para se preparar. Professor é professor e não pode parar de estudar nunca, então tem que ser incentivado a continuar sua formação. Professor é professor e portanto devia ser mais valorizado.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Tautologia do dia: estupro é estupro
Se você enfia uma toca ninja, empunha um canivete, arrasta a mulher para um beco, é estupro.
Se a pessoa não tem idade ou saúde mental para conseguir formular o que é ato sexual, muito menos o que é consentimento, é estupro.
Se você coloca um boa noite cinderela na bebida da moça, é estupro.
Se a menina te chama pra ir na casa dela tomar um vinho e ouvir um Barry White, mas decide que não quer trepar, é estupro.
Se a mulher te chama pra ir pro motel, diz que paga a conta, mas chega lá e desiste, é uma infeliz, cachorra, ordinária e salafrária. Mas é estupro.
Se você é casado, tem namorada, companheira, ou se está num relacionamento sério ou engraçado, e a patroa decide fazer greve e não quer ceder, é estupro.
Estupro é estupro.
P.S.: da mesma forma, consentimento é consentimento...
Se a pessoa não tem idade ou saúde mental para conseguir formular o que é ato sexual, muito menos o que é consentimento, é estupro.
Se você coloca um boa noite cinderela na bebida da moça, é estupro.
Se a menina te chama pra ir na casa dela tomar um vinho e ouvir um Barry White, mas decide que não quer trepar, é estupro.
Se a mulher te chama pra ir pro motel, diz que paga a conta, mas chega lá e desiste, é uma infeliz, cachorra, ordinária e salafrária. Mas é estupro.
Se você é casado, tem namorada, companheira, ou se está num relacionamento sério ou engraçado, e a patroa decide fazer greve e não quer ceder, é estupro.
Estupro é estupro.
P.S.: da mesma forma, consentimento é consentimento...
domingo, 13 de outubro de 2013
Tautologia da semana: quem tem boca fala o que quer...
acredita quem é bobo, já diria MC Jotinha. É fato, você pode dizer o que quiser. Fazer parecer crível, verossímil, pérola de sabedoria ou verdade absoluta é mera questão de retórica. Ou da tontice do interlocutor, como disse Jotinha.
Como bom post inaugural, esse primeiro post tem que trazer uma justificativa, um porquê desse blog. A verdade é que blogar nada mais é do que dar vazão à minha vontade de falar o que eu quero, uma vez que eu também teno boca.
E ter um blog sobre tautologias é a promessa clara, o desejo manifesto, de não trazer qualquer informação nova.
Como bom post inaugural, esse primeiro post tem que trazer uma justificativa, um porquê desse blog. A verdade é que blogar nada mais é do que dar vazão à minha vontade de falar o que eu quero, uma vez que eu também teno boca.
E ter um blog sobre tautologias é a promessa clara, o desejo manifesto, de não trazer qualquer informação nova.
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